Foto sem descrição

Assistência técnica em habitação social é debatida em seminário promovido pelo CAU de Sergipe

Arquitetos e urbanistas de várias partes do Brasil se reuniram em Sergipe para debater sua atuação na área de Assistência Técnica para Habitação Social. O IV Seminário Estadual de Arquitetura e Urbanismo, promovido pelo CAU/SE, contou a participação de empresas, órgão de governo e organizações não governamentais para apontar novos caminhos que possibilitem garantir a habitação digna como direito à cidade. “É de extrema importância, nós arquitetos, sabermos trabalhar com qualquer tipo de cliente, com os diversos segmentos da sociedade. É preciso destacar a função social do arquiteto. A nossa formação comporta isso. Construir a visão social e pensar a cidade com qualidade para todos”, afirma presidente do CAU/SE, Ana Maria Farias.

Um exemplo da capacidade social dos arquitetos brasileiros é a Casa Vila Matilde, construída para uma diarista a um custo total de R$ 150.000. “Nós, arquitetos, precisamos transformar a arquitetura em grandes investimentos. Fazemos projetos do Minha Casa Minha Vida com a mesma qualidade de qualquer outra proposta arquitetônica. Não existe diferença de concepção”, disse o arquiteto Pedro Tuma, do escritório Terra e Tuma Arquitetos Associados, de São Paulo. “No escritório vemos o valor e o que temos que fazer com ele. A partir daí, a qualidade do projeto deve-se à nossa capacidade. Ter um projeto e sair replicando como carimbo, sem questionar a adequação da realidade não é correto. Não se pode diminuir a intenção projetual para projetos populares”.

A experiência com projetos sociais em Brasília foi relatada pelos arquitetos Luiz Sarmento e Sandra Marinho, ambos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CODHAB/DF). “Precisamos tirar a arquitetura do papel porque essa não vale muita coisa. Arquitetura social é uma valorização das práticas”, afirmou Sarmento. A CODHAB-DF já instalou, desde 2015, dez postos de assistência técnica nas comunidades do DF.

De acordo com a gerente de programas do Habitat para a Humanidade, Mohema Rolim, o IV Seminário Estadual de Arquitetura e Urbanismo de Sergipe tem um tema bastante oportuno, já que se trata de uma aproximação das diversas bandeiras de luta por direitos no Brasil. “Mas qual o profissional arquiteto que visa garantir o direito à assistência técnica gratuita a pessoas vulneráveis, como está na lei? Será que esses arquitetos entendem a visão social e estão preparados?”, questionou.

Lei de Assistência Técnica

Um dos pontos centrais do debate é a aplicação da Lei 11.888/2008, a Lei de Assistência Técnica, que assegura às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para projeto e construção de habitação de interesse social. A maioria dos municípios do país ainda ignora a legislação, que está em vigor desde 2009. Apenas 122 municípios em 16 estados e o Distrito Federal foram diretamente beneficiados até agora.  

“Temos projetos de muito boa qualidade. Mas o que falta? Falta é vontade política de que realmente se tenha uma política nacional de Assistência Técnica, onde projeto possa ser valorizado, e os profissionais que atuam tenham o trabalho reconhecido. Inclusive falta consciência do próprio arquiteto que a atuação tem um teor político e que interfere na estrutura política da cidade”, analisa Eleonora. “A questão da Assistência Técnica gratuita não depende mais de proposições técnicas e sim de uma luta política em prol da inclusão social desse grande segmento da pobreza brasileira”, disse o vice-presidente do CAU/SE, Fernando Antônio de Souza. “É preciso garantir a habitação como direito à cidade”.

O conselheiro do CAU/BR Sanderland Ribeiro (PI) destacou que os CAU/UF de todo o Brasil têm puxado esse movimento, propondo planos de ação anual para atividades voltadas para Assistência Técnica (ações, eventos, oficinas), usando 2% de seus orçamentos. O CAU/RS e o CAU/GO já realizaram editais, abertos ao público, para financiar ações desse tipo propostas por arquitetos e urbanistas. A presidente do CAU/SE, Ana Maria Farias, ressaltou a necessidade de se discutir a Lei da Assistência Técnica Gratuita em Sergipe, em todas as esferas da sociedade. “Nós, arquitetos, temos também a função de, através dessa lei, produzirmos habitações de interesse social com a qualidade técnica adequada, cidades mais inclusivas, humanas, resilientes e sustentáveis”.

 

Fonte: CAU/BR

Foto: Dênio Simões / Agência Brasília

VOLTAR AO TOPO